Ministério da Saúde lança guia nacional contra impactos das apostas online na saúde

Publicação
16/01/2026 - 13:37

 

O Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, documento que orienta o acolhimento, o acompanhamento e o tratamento de pessoas afetadas pelo jogo no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento de um problema já reconhecido como questão de saúde pública no Brasil.

Levantamentos indicam que, entre 2018 e 2025, houve crescimento expressivo nos atendimentos do SUS relacionados ao jogo patológico e a problemas decorrentes das apostas. Os dados evidenciam a expansão do fenômeno e seus impactos diretos na saúde mental, nas relações familiares e na vida financeira das pessoas.

O Guia apresenta orientações práticas para as equipes da rede pública, com atenção especial à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O documento reforça que o cuidado deve ocorrer de forma integrada, envolvendo desde a Atenção Primária até os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), hospitais e serviços de urgência, de acordo com a gravidade de cada caso.

A publicação destaca que as apostas, sobretudo no ambiente digital, estão associadas a quadros de ansiedade, depressão, endividamento e rompimento de vínculos sociais. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde defende abordagens baseadas na escuta qualificada, no cuidado em liberdade e na estratégia de redução de danos.

O lançamento do Guia faz parte de uma estratégia mais ampla, que inclui a implementação da Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, a criação da Plataforma de Autoexclusão Centralizada e a estruturação do Observatório Saúde Brasil de Apostas, em parceria com o Ministério da Fazenda.

A plataforma de autoexclusão possibilita que a própria pessoa solicite o bloqueio do acesso a sites de apostas e receba orientações para buscar atendimento no SUS, ampliando a proteção e o acesso ao cuidado. Já o Observatório vai qualificar o uso de dados para identificar comportamentos de risco e subsidiar ações de prevenção, regulação e cuidado nos territórios.

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